Lifestyle

Sobre o Dia da Mulher

9 de março de 2017


Olá meninas!

Estive pensando sobre esse assunto “dia da mulher”, mas o que será que isso significa de fato para mim, e cheguei à conclusão que é um dia de reflexão, agradecimento e luta, mas ainda não é um dia a ser comemorado.

Parece que quando a gente se torna mãe, passamos a enxergar o mundo por um outro prisma, pelos olhos daquele ser que amamos tanto, e eu como mãe de menina comecei a refletir como seria se minha Cecília tivesse nascido em um mundo em que a mulher ainda não pudesse votar, ou dirigir, ou ter qualquer profissão que desejasse, que mundo mais difícil e triste, mas graças a luta e determinação de muitas e muitas bravas mulheres no passado, a realidade hoje é outra, os tempos mudaram e por isso devemos gratidão a elas.
Mas não devemos parar por aí! Pois quero para minha Cecília um mundo igualitário e justo! Em que uma mulher não tenha que trabalhar mais que o homem para ganhar menos, que seja subjugada ou tratada com condescendência! Quero o direito de ir e vir, de vestir e de ter opinião forte sim! E para aqueles que não entendem ou aceitam que a mudança e o progresso são inevitáveis, fica apenas meu sincero sentimento de pena.
Por isso, não acho que devemos comemorar ainda, farei isso no dia em que o mundo seja um lugar mais justo para todos os gêneros, sem distinções!

Por isso resolvi compartilhar este texto perfeito da Clara Averbuck.

O Dia da Mulher não é pra ser uma homenagem singela e bonitinha para as lindas mulheres sorridentes e fofinhas, ah, essas mulheres, tão lindas e tão geniosas, mas que os homens amam. É um dia pra botar todas as questões que precisam ser debatidas em pauta, é pra falar sobre a luta dos direitos da mulher, não sobre TPM e manicure. Não é pra ter um “tom leve”.
Tom leve não combina com assunto sério, daí tantas manifestações negativas a campanhas paternalistas. Algumas pessoas vêm com aqueles papos de que as reações são desproporcionais, que deixa disso, que não é tanto assim, que é frescura, que é exagero, que devemos também falar das mulheres “normais”. Como se a única agressão que contasse fosse a física. Como se a única opressão que valesse fosse a explícita. Como se, por exemplo, um padrão de beleza massacrante também não fosse uma forma de opressão.
Entendo que para as pessoas menos familiarizadas com o feminismo algumas coisas possam parecer exagero. Já fui assim também. Achava algumas reações exacerbadas, motivadas por “bobagem”. Aí eu descobri duas coisas: primeiro: não temos o direito de cagar regras sobre como alguém se sente a respeito de algo. Segundo: nenhuma reação é exacerbada quando se trata de quebrar um paradigma milenar. Cada minicoisinha conta.
Cada reclamadinha que a gente dá pode gerar questionamento em alguém – apesar de gerar chacota dos que nunca sentiram na pele o que a mulher passa e, por serem incapazes de empatia, minimizam qualquer manifestação com o papinho da feminista histérica. Querem uma feminista mansa, que não fale alto, que não incomode e fique no seu lugarzinho. Não, né?
O dia 8 de Março é importante pelo simples motivo de que a mulher ainda é oprimida. O dia em que formos realmente tratadas como iguais poderemos transformar o dia em uma comemoração, mas, por enquanto, ainda é um dia para abrir os olhos da galera que prefere não saber, por exemplo, que sete de cada dez mulheres serão agredidas ao longo da vida – este é um dado da ONU – e que essas mulheres não estão longe.
A violência acontece no seu prédio. Na sua rua. Pode ser que aconteça na sua família, com a sua sobrinha, sua vizinha, sua colega de trabalho, sua chefe, a chefe de sua chefe, uma juíza, enfim. Pode ser que aconteça com você. Violência contra a mulher não escolhe classe social. E a violência acontece porque ainda vivemos sob o patriarcado, onde a mulher está abaixo do homem. Sim, conquistamos muitas coisas, mas ainda não chegamos nem perto de realmente reestruturar o funcionamento da sociedade para que seja igualitária e justa.
Temos um longo caminho pela frente.
Enorme.
Milhares de anos precisando de desconstrução e reconstrução.
Milhares de paradigmas incrustados em nossas cabeças.
Milhares de estereótipos para quebrar.
Anos e anos e anos e anos de violência suportada em silêncio pra gritar.
 
*Originalmente publicado em claraaverbuck.com.br


Parabéns para todas nós! 

Beijos!

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